- ROTEIRO
O roteiro foi construído através de dezenas de entrevistas feitas com pessoas que participaram do evento além de consultas a jornais da época e duas teses de mestrado sobre o festival.
O material coletado foi dividido em três partes:
1ª PARTE: A história de 3 jovens que decidem fazer um festival de música, para isso eles “largam” seus empregos e vendem seus bens.
O detalhe é que dois deles eram recém-casados e o outro estava com a mulher grávida.
Essa parte do roteiro mostra como os três amigos vão concretizando a realização do sonho, convencendo políticos, militares, religiosos e comunidade para o que todos acreditavam ser uma espécie de festa de bairro para os jovens
2ª PARTE: a ideia dos jovens extrapola fronteiras; no boca-a-boca vai caindo nas graças de jovens alternativos que estavam espalhados e isolados em diferentes lugares. Essa parte do roteiro mostra a diversidade e contradições do contexto da época: de um lado a população conservadora, o Exército e a falta de liberdade, a inocência da época como por exemplo o padre anunciando o festival durante a missa e do outro lado a juventude rebelde, com suas músicas e comportamento questionador, os hippies, os caroneiros, os subversivos, etc. Um caldeirão fervendo com dois ingredientes antagônicos prontos a explodir... quando há o encontro da população conservadora com os novos visitantes a tensão aparece no ar.
3ª PARTE: Um fim de semana de paz e amor: a invasão de aproximadamente dez mil jovens à Palhoça (praticamente dobrando o número de pessoas na cidade), com suas roupas coloridas, seus modos estranhos, vindos de carona de muitos cantos do Brasil e da América Latina, com muitos sonhos e pouco $$, a maioria acaba pulando o alambrado ou atravessando a nado o riacho que circundava o estádio no qual foi realizado o festival.
Outros fatos marcantes são: a abertura do festival, que ficou a cargo da Banda do Exército, que foi acompanhada e regida por uma turma de hippies; a falta de comida na cidade, que não esperava a vinda de tantos e tão estranhos visitantes, fato que gerou muitas versões de como tantas bocas foram alimentadas; as apresentações musicais e o fim do fim de semana de paz e amor...
A MÚSICA
Essa é uma história na qual a protagonista é a música, de maneira que do roteiro inicial o espetáculo se transformou numa espécie de ópera-rock, isto é, a música se transforma em elemento narrativo.
Para isso teremos uma banda, formada por músicos atores-atores, que fará a trilha sonora e sonoplastia, além de também recriar a estética das bandas que se apresentaram no festival (era um festival muito eclético: a abertura com a banda do Exército e regida pelos hippies, música pop, MPB, instrumental, rock, distorções, deboche, uma das bandas tocou de calcinha e sutien, embora fosse formada por 3 barbudos).
A trilha musical do espetáculo tem os seguintes aspectos:
- COMPOSIÇÃO PARA O ESPETÁCULO: foi criado um roteiro com dez canções a serem tocadas durante o espetáculo com função narrativa;
- PESQUISA REPERTÓRIO DAS BANDAS QUE TOCARAM NO PALHOSTOCK: Há raros registros fonográficos das bandas daquela época por isso a pesquisa do repertório torna-se importante, dentre as quais podemos destacar: “Os Almondegas”, banda gaúcha que fez no Palhostock sua última apresentação (metade da banda resolveu “morar na praia” após o festival, "sobrando" apenas dois irmãos chamados Kleiton e Kleidir que lançariam seu primeiro disco no ano seguinte; além dos irmãos fazia parte da banda o atual prefeito de Porto Alegre, José Fogaça), a banda BIXO DA SEDA, das bandas precursoras do “rock pesado”, A CHAVE, banda curitibana que tinha como letrista o poeta Paulo Leminski, e LUIZ HENRIQUE ROSA, músico catarinense, parceiro da Liza Minelli, que “sumiu” durante o festival, etc.
MÚSICAS DA ÉPOCA – As músicas que embalavam o inconsciente coletivo daqueles conturbados anos 70.
CENOGRAFIA
Um dos desafios de se contar essa história é por esta ser cinematográfica : múltiplos ambientes, diversos núcleos, o contexto político e social mundo afora... para isso pensamos em um cenário cinematográfico.
A ideia é usar um telão vazado no meio do palco: o procênio livre para a plateia enquanto o fundo do palco seria atrás do telão.
As projeções servirão para criar diversos efeitos:
- Inúmeros cenários: ruas, caronas, grandes cidades, pacatas praias, etc, misturar a linguagem teatral com a cinematográfica.
- Elemento estético: ajuda a criar visuais psicodélicos, estética tão característica da década de 70.
- Elemento narrativo (mostrar o contexto político e social da época, guerras, ditadura, copas do mundo, etc):
na 1ª PARTE ele servirá para criar um ar de cinema ao contar a história do sonho dos 3 amigos,
na 2ª PARTE dar conta da diversidade de núcleos que se envolverão com a ideia dos amigos
na 3ª PARTE o telão será RASGADO, simbolizando o rompimento de barreiras (no plano da forma, a barreira entre palco/plateia; no plano do conteúdo o rompimento de comportamentos).
No início do “último ato” haverá uma invasão na plateia (entrarão atores e figurantes pelas laterais, pelo teto, pelos fundos) representando a invasão de hippies na cidade, e no palco os atores rasgarão o telão, rompendo as barreiras, criando uma catarse. Então o palco do teatro será o palco do festival e a plateia de atores acampará no meio do público que veio ao teatro assistir ao espetáculo, de maneira que não será possível distinguir quem é plateia e ator-plateia pois todos serão plateia do “PALHOSTOCK!” ; nesse momento também a perspectiva do palco italiano será substituída por uma espécie de teatro-total, teatro em todo o teatro, pois às cenas no palco serão intercaladas dezenas de cenas ocorrendo concomitantemente na plateia.
ILUMINAÇÃO
A narrativa da luz seguirá a estética do espetáculo:
Na 1ª PARTE, que conta o sonho e a realização deste pelos três amigos, tentaremos criar um clima de filme antigo, utilizando o efeito do telão e tons sépia na iluminação para caracterizar um tempo passado, onírico;
Na 2ª PARTE, quando a ideia se espalha por diferentes lugares, núcleos, a luz torna-se “psicodélica”: auxiliada pela projeção, as diversas cores representarão os diferentes grupos e contextos sociais da época;
Na 3ª PARTE, que narra o festival, a iluminação do palco ganhará o aspecto de show enquanto na plateia diversos focos darão conta das diversas narrativas que estarão ocorrendo no meio do público.
ELENCO
O elenco será formado por dez atores profissionais (contratados) e a esses serão acrescentados em torno de vinte atores para elenco de apoio e figuração, sendo que esses atores serão escolhidos através da "OFICINA TEATRAL PALHOSTOCK", criada para capacitar artistas e técnicos para o espetáculo. Essa oficina é gratuita e aberta a toda comunidade (adolescentes, jovens, adultos e maturidade) e ela acontece desde 2009 numa parceria do grupo com a prefeitura municipal.
Além dos atores serão contratados cinco músicos profissionais para compor a banda; além destes serão agregados atores-músicos que ajudarão a criar a diversidade das bandas que tocaram no festival.
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