quarta-feira, 17 de novembro de 2010

VIVA A BOSSA! VIVA A PALHOÇA!!






"Viva a bossa-sa-sa
Viva a Palhoça-ça-ça-çá!"




O Palhostock foi um lendário festival de música ocorrido na cidade de Palhoça em 1974. a ideia era fazer um festival nos moldes do Woodstock, um fim de semana de som ininterrupto.
O Palhostock foi idealizado por 3 amigos (Jacob, Baldicero e Edagrd) Na época não havia muita diversão para os jovens; eles costumavam se reunir na casa de Edgard onde a juventude ouvia som em decibéis não recomendáveis. Foi em uma dessas festas que surgiu a ideia do festival. Mas os amigos não tinham experiência em eventos desse tipo, Jacob e Baldicero tinham emprego público e Edgard era contador, além disso a esposa de Jacob estava grávida e Edgard era recém-casado. Apesar de tudo isso eles largam seus empregos, vendem seus carros e motos, para poder financiar esse sonho.
O primeiro passo foi conseguir um local para o evento. A cidade da Palhoça, através do prefeito da época, Seu Odílio, que via no evento uma oportunidade de promover o município dá carta branca aos rapazes para promoverem o festival. O local escolhidoi foi o campo do Guarani, no centro da cidade, aparentemente um local ideal pois era uma área aberta, cercada por grades e por um rio.
Enquanto a prefeitura construia o palco os rapazes viajaram pelo Sul e Sudeste, contratando bandas, conseguindo apoio de mídias para divulgação,... e também contrataram o som mais potente da época.
Foi tudo muito rápido - apenas 3 meses entre a ideia e a realização desta. Para burlar a censura da ditadura eles tiveram a sacada de convidar a banda do exército para abrir o festival. Convite aceito havia carta branca dos militares para a realização.
A Palhoça era uma cidade pequena e calma. Naquela época todos encaravam o festival como uma espécie de festa de bairro, dessa maneira conseguiram o apoio dos militares, etc, até o padre anunciava o festival durante a missa. Mas por um desses misterios nada misteriosos a notícia começou a correr, o boca-a-boca funcionou e jovens do Brasil inteiro e da América Latina começaram a vir para a Palhoça, a maioria de carona, no melhor espírito hippie.
Uma semana antes do início do festival, no ritmo irregular das caronas, começaram a chegar os primeiros caroneiros: foi um choque cultural. A população se escandalizou com o aspecto dos novos visitantes, as roupas, os cabelos, a postura, etc. Mas a grande surpresa estava por vir... no sábado, dia do início do festival houve uma invasão na Palhoça. Milhares de jovens chegaram na cidade que não estava preparada para isso. A primeira consequência é que os organizadores não estavam preparados para tanto fluxo de maneira que houve uma invasão no campo; a maioria absoluta dos espectadores ou pulou a grade ou ia a nado através do rio, de maneira que apesar do sucesso de público foi um fracasso de bilheteria (lembre-se que os organizadores largaram os empregos e venderam seus bens esperando ser ressarcidos através da venda de ingressos). a segunda consequência é que a comida, a bebida e os cigarros acabaram na cidade e até hoje especula-se como tantos jopvens conseguiram se alimentar aqueles dias.
Apesar da aparente bagunça tudo transcorreu na absoluta paz, e aqueles jovens, que a princípio eram olhados com desconfiança aos poucos ganharam a simpatia dos moradores.

O FESTIVAL
O festival deu início com a apresentação da banda do Exército. Foi a cena mais surreal do evento: a malucada levou um susto quando viu os militares descendo do ônibus e os militares levaram um susto quando viram a platéia a qual deveriam tocar. Apesar do estranhamento a banda tocou seu repertório mais alegre sendo regida e acompanhada por milhares de hippies. Após deu-se início as apresentações programadas: Capuchon (banda de Floripa), Bixo da Seda e Almondegas (banda da qual participavam os irmãos Kleiton e Kledir), de Porto Alegre, A Chave (que tinha entre seus compositores o poeta Leminski) e Movimento Parado (que tocaram de cueca e sutien), de Curitiba. Outro momento marcante do festival foi a apresentação de Eliane Toulois, que roubou a cena tocando guitarra e cantando com a banda Comunidade e Capuchon. Além das bandas escaladas para o festival era um projeto aberto a participações espontâneas do público, entre os quais se destacou um trio chamado "Rosa Branca", uns malucos alucinados que tinha entre seus integrantes um guitarrista negro que tocava feito um hendrix. Além dessas apresentações o festival também tornou-se conhecido por uma apresentação que não houve, a do músico catarinense Luis Henrique Rosa, e o motivo alegado para sua ausência varia de personagem para personagem e é mais um dos folclores do palhsotock: uns acham que LH Rosa estava alucinado trancafiado em sua barraca numa nóia despertada pela Banda do Exército, outros juram que ele estava com medo do doutor delegado Elói que estava de marcação em sua pessoa, outros testemunham ainda que o próprio delegado prendeu o músico alegando que o mesmo fumava uma perna de grilo, e outros ainda disseram ter visto um músico levitando por ali; o fato é que o palhostock foi um festival de música na qual essa não era a maior protagonista e sim os mil tons e cores das milhares de pesssoas que podiam compartilhar do mesmo momento de liberdade e prazer num contexto de ditadura e repressão.
O grande momento do festival foi a noite de sábado. No domingo, após a chuva e o banho de lama da galera, o Festival foi terminando, até o apaghar das últimas fogueiras...

IDIOSSINCRASIAS DO PALHOSTOCK

- A ousadia de 3 jovens que largam seus empregos, vendem seus bens para organizar o festival, que apesar do sucesso será um fracasso comercial (a maior parte da platéia entrou sem pagar, pulando o muro ou atravessou a nado o rio que circundava o estádio);

- Foi o pioneiro no Brasil em grandes festivais ao ar livre;

- O contexto político: como um festival que celebrava a paz e o amor ocorreu durante a ditadura militar? com a surreal cena da banda do Exército abrindo o festival dando uma volta olímpica seguida por milhares de hippies.

- A Palhoça era uma cidade pequena e não estava preparada para a invasão de pessoas, assim o estoque de comida, bebidas e cigarros da cidade logo esgotaram, gerando diversas especulações de como tantas bocas foram saciadas.

- O choque de gerações: as pacatas ruas da Palhoça foram apresentadas à contracultura gerando confronto de opiniões e botando as praias da Palhoça nas rotas da geração hippie.

0 comentários:

Postar um comentário